Élder Jeffrey R. Holland
Do Quórum dos Doze Apóstolos
Nenhum de nós é menos amado ou menos querido por Deus do que outros. Testifico que Ele ama a cada um de nós — com nossas inseguranças, nossas ansiedades e nossa auto-imagem.
Entre as mais memoráveis parábolas que o Salvador contou está a história de um irmão mais novo, tolo, que foi a seu pai e pediu-lhe a parte dos bens que lhe pertencia, e partiu de casa para desperdiçar sua herança numa "vida dissoluta".1Seu dinheiro e seus amigos desapareceram mais rápido do que esperava — como sempre acontece — e chegou o terrível dia do ajuste de contas — como sempre chega. No caminho descendente dos acontecimentos, ele tornou-se um guardador de porcos, tão faminto, tão necessitado de sustento e dignidade, "desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam". Mas nem mesmo isso ele pode ter.
Então a escritura diz animadoramente "[tornou] em si". Determinou-se a voltar para casa, esperando ser aceito pelo menos como um servo na casa de seu pai. A imagem terna do ansioso e fiel pai desse rapaz, correndo até ele e cobrindo-o de beijos é uma das cenas mais comoventes de todas as escrituras sagradas. Ela diz a cada filho de Deus que, quer esteja no caminho ou não, Ele nos quer de volta sob a proteção de Seus braços.
Mas absortos nesta história do filho mais jovem, podemos perder de vista, se não tivermos cuidado, o registro de um filho mais velho, pois consta na primeira linha do relato do Salvador: "Um certo homem tinhadoisfilhos" — e poderia ter acrescentado — "ambos estavam perdidos e precisavam voltar para casa".
O filho mais moço voltou e foi colocado sobre seus ombros um manto e em seu dedo, um anel, quando entra em cena o filho mais velho. Ele tem sido zeloso, trabalhando fielmente no campo, e agora está voltando do trabalho. A linguagem de jornadas paralelas para casa, embora de diferentes lugares, é fundamental nessa história.
Quando se aproxima da casa, ele ouve o som de música e gargalhadas.
"E, chamando um dos servos (notem que ele tem servos), perguntou-lhe o que era aquilo.
E [o servo] lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas [o irmão mais velho] se indignou, e não queria entrar. E saindo o pai, instava com ele."
Vocês sabem a conversa que tiveram depois disso. Certamente para esse pai, a dor pela perda do filho obstinado que saiu de casa e chafurdou com os porcos é agora agravada pela percepção de que o irmão mais velho e mais sábio, o herói do irmão mais novo — como sempre são os irmãos mais velhos — está aborrecido porque seu irmão voltou para casa.
Não. Corrijo-me. Esse filho está zangado não por causa da volta do outro, mas porque seus pais estão felizes com isso. Sentindo-se rejeitado e talvez com um pouco mais do que autocomiseração, esse filho leal,particularmente leal, esquece por um momento que nunca teve que conhecer a imundície e o desespero, o medo ou a auto-rejeição. Ele esquece, por um momento, que cada bezerro da propriedade já é seu, assim como todas as roupas guardadas naquela casa e todos os anéis. Ele esquece por um momento que sua fidelidade é recompensada e sempre será.
Não, ele, que possui praticamente tudo e que tudo conseguiu com seu trabalho árduo, de maneira honrada, não tem a única coisa que pode torná-lo o completo homem do Senhor que quase é. Ele ainda precisa desenvolver a compaixão, a misericórdia, e a perspectiva de tolerância para perceber quequem está voltando não é seu rival. É seu irmão. Como seu pai suplicou-lhe que percebesse, ele é aquele que estava morto, e reviveu. É aquele que tinha se perdido, e fora agora achado.
Certamente esse irmão mais jovem fora um prisioneiro — um prisioneiro do pecado e da estupidez — vivendo num antro. Mas o irmão mais velho vive confinado também. Ele foi, até agora, incapaz de libertar-se da própria prisão. Ele é assombrado pelo monstro roxo da inveja.2Ele se sente subestimado por seu pai e despojado dos direitos e privilégios por seu irmão, quando esse não é o caso. Ele é vítima de um insulto fictício. Como tal, ele se compara a Tântalo, da mitologia grega, que tem a água até o queixo, mas continua morrendo de sede. Alguém que até agora presumivelmente tinha estado feliz com sua vida e contente com sua sorte, subitamente sente-se muito infeliz simplesmente porque outra pessoa teve um pouco de sorte também.
Quem é esse que sussurra tão sutilmente em nossos ouvidos que um presente dado a alguém diminui, de alguma forma, as bênçãos que recebemos? Quem faz-nos sentir que se Deus está sorrindo para alguém, Ele então deve estar certamente nos ignorando? Vocês e eu sabemos quem faz isso — é o pai de todas as mentiras.3É Lúcifer, nosso inimigo comum, que desde o início dos tempos, tem dito sempre e a todos: "Dá-me a tua honra."4
Diz-se que a inveja é o único pecado que ninguém confessa prontamente, mas é o provérbio dinamarquês que sugere quão disseminada pode ser essa tendência: "Se a inveja fosse uma febre, o mundo todo estaria doente." O pároco dos Contos de Canterbury, de Chaucer, lamenta esse mal porque é de longo alcance — indigna-se com tudo, inclusive toda virtude e talento, e pode ser ofendido por tudo, inclusive toda bondade e alegria.5Quando os outros parecem crescer à nossa vista, pensamos que por isso estamos menores. Assim, infelizmente, agimos de maneira menos digna.
Como isso acontece, principalmente quando desejamos tanto que não aconteça? Acho que pelo menos uma das razões para isso é que a cada dia vemos tentações de um tipo ou de outro que nos dizem que o que temos não é o suficiente. Alguém ou algo está sempre nos dizendo que precisamos ser mais bonitos ou mais ricos, mais aplaudidos ou mais admirados do que somos. É-nos dito que não temos propriedades suficientes nem vamos a lugares muito divertidos. Somos bombardeados com a mensagem de que fomos pesados na balança das coisasdomundo, e foi determinado que estamos com falta das coisas que o mundo considera serem importantes.6Certos dias são como se tivéssemos trancafiados em um cubículo do grande e espaçoso edifício, onde a única coisa que passa na televisão é uma novela infindável chamada "Vãs Imaginações".7
Contudo, Deus não age dessa forma. O pai nessa história não causa sofrimento a seus filhos. Ele não os compara impiedosamente com os filhos de seus vizinhos. Ele não os compara entre si. Seus gestos de compaixão com um deles não significam negar seu amor ao outro. Ele é divinamente generoso com ambos os filhos. Ele estende a caridade aos dois. Acredito que Deus aja conosco da mesma forma que minha querida esposa, Pat, age com a minha voz quando canto. Ela é uma exímia musicista, algo como um gênio musical, mas eu não consigo capturar uma nota musical nem com papel mata-mosca.Ainda assim sei que ela me ama de um jeito especial quando tento cantar.Sei disso porque vejo em seus olhos. São os olhos do amor.
Um observador escreveu certa vez: "Num mundo que compara freqüentemente as pessoas, classificando-as como mais ou menos inteligentes, mais ou menos atraentes, mais ou menos bem-sucedidas, não é fácil realmente acreditar em um amor [divino] que não faça o mesmo. Quando vejo alguém sendo elogiado", diz ele, "é difícil não pensar em mim mesmo como menos digno de honras; quando leio sobre a bondade e amabilidade de outras pessoas, é difícil não imaginar se eu mesmo não sou tão bondoso e amável como elas; e quando vejo troféus, recompensas e prêmios serem concedidos a pessoas especiais, não posso deixar de me perguntar por que aquilo não aconteceu comigo."8Se não resistirmos, poderemos ver como essa tendência enganosa do mundo irá finalmente nos mostrar uma visão terrível e degradante de Deus e uma visão terrível de nós mesmos. A maior parte dos mandamentos "não deverás" tem o propósito de impedir que machuquemos outras pessoas, mas estou convencido que o mandamento de não cobiçar tem o propósito de evitar que machuquemos a nós mesmos.
Como podemos superar tal tendência tão comum em quase todos nós? Porque podemos fazer alguma coisa como esses dois filhos fizeram, e começar a trilhar nosso caminho de volta ao Pai. Devemos fazê-lo com tanta diligência e humildade quanto nos for possível. Ao longo desse percurso, podemos contar nossas muitas bênçãos e podemos aplaudir as conquistas dos outros. Melhor ainda, podemos servir os outros, o mais refinado exercício já prescrito para o coração. Mas, enfim, isso não será suficiente. Quando estamos perdidos podemos "tornar a nós mesmos", mas nem sempre estaremos aptos a "nos encontrar", e não podemos "salvar-nos" para toda a eternidade. Somente o Pai e Seu Filho Unigênito podem fazê-lo. A salvação está Neles apenas. Assim, oramos para que Eles nos ajudem, para que Eles "venham" encontrar-nos, abraçar-nos e levar-nos ao banquete que prepararam.
Eles assim farão! As escrituras estão repletas da promessa de que a graça de Deus é suficiente.9Esta é uma arena na qual ninguém precisa lutar ou competir. Néfi declara que o Senhor "ama o mundo" e concedeu livremente a salvação.
"Eis que ordenou o Senhor aalguémquenãoparticipasse de sua bondade?" pergunta ele. Não! "Todo [ser] (. . .) tem tanto privilégio quanto qualquer outro e [por sua vez] nenhum é excluído."
"Vinde a mim todos vós, extremos da Terra", clama Ele, e "comprai leite e mel sem dinheiro e sem preço".10Todo ser tem tanto privilégio quanto qualquer outro. Caminhem em paz; com confiança; sem medo e sem inveja. Estejam certos de que o Pai Celestial sempre lhes dará em abundância.
Ao fazermos isso, podemos ajudar outros, invocando bênçãos sobre eles assim como eles suplicam por nós. Podemos aplaudir cada talento e habilidade, a quem quer que seja dado, tornando assim a vida aqui mais semelhante à que teremos nos céus.
Será de grande ajuda nos lembrarmos sempre da forma como Paulo em poucas palavras determinou a prioridade das virtudes — "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor".11Ele nos lembra que somostodosdo corpo de Cristo, e quetodosos membros, sejam fortes ou frágeis, devem ser amados e protegidos, essenciais e importantes. Sentimos a profundidade de seu clamor para que "não haja divisão no corpo, mas (. . .)tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam (. . .)".12Este conselho incomparável ajuda-nos a lembrar que a palavra "generosidade" tem o mesmo tipo de derivação que a palavra "genealogia", ambas vindo do latimgenus, que significa do mesmo nascimento ou gênero.13Será sempre mais fácil sermos generosos quando nos lembrarmos de que a pessoa que está sendo favorecida é verdadeiramente um de nós.
Irmãos e irmãs, testifico que nenhum de nós é menos amado ou menos querido por Deus do que outros. Testifico que Ele ama a cada um de nós — com nossas inseguranças, nossas ansiedades e nossa auto-imagem. Ele não nos julga por nossos talentos ou nossa aparência; Ele não nos julga por nossa profissão nem por nossas posses. Ele vibra comtodocorredor, alertando-os que a corrida é contra o pecado,nãouns contra os outros. Sei que se formos fiéis, seremos cobertos com um manto de justiça confeccionado sob medida paracada um,14"vestes (. . .) [branqueadas] no sangue do Cordeiro".15Que possamos incentivar uns aos outros em nosso empenho de conquistaresseprêmio é minha sincera oração em nome de Jesus Cristo. Amém.
Conferência Geral
Abril de 2002
O Outro Filho Pródigo
segunda-feira, 14 de março de 2011
Às Mulheres da Igreja
Muitas jovens esperam pelo homem perfeito...aquele que não vai chegar no cavalo (Como Princípes)mais que supera todas as expectativas de uma jovem.Quão grande decepção não terá quando ficar mais velha e descobrir que homens perfeitos não existem...mas que nem por isso eles não são bons e não possam nos fazer felizes.
Em uma entrevista com meu Pres. de Estaca para um chamado na estaca ,depois de algumas perguntas,incluindo namoro , ele disse algo que eu jamais esquecerei, e gostaria de compartilhar com você...e espero que sirva para você ponderar tais palavras...
"NÃO ESCOLHA DEMAIS ...MAIS TAMBÉM NÃO SE ENGANE."
Agora leia o conselho de :
PRESIDENTE GORDON B. HINCKLEY
Obrigado por serem o tipo de pessoas que são e pelas coisas que fazem. Que as bênçãos do céu repousem sobre vocês.
Falo aqui a um grupo bem variado. Ele inclui as jovens que ainda estudam ou que trabalham. Vocês são solteiras. Têm a esperança de encontrar o homem perfeito. Ainda não vi um que fosse perfeito. Sejam exigentes, mas não tanto que não haja ninguém bom o bastante. O que realmente importa é que ele as ame, respeite, honre e seja absolutamente fiel a vocês; que ele lhes dê liberdade de expressão e deixe que alcem vôo no desenvolvimento de seus próprios talentos. Ele não será perfeito, mas se for bondoso e atencioso, se for trabalhador e puder se sustentar, se for honesto e tiver bastante fé, muito provavelmente você escolheu certo, vocês serão imensamente felizes.
Conferences
Outubro de 2003
Às Mulheres da Igreja
Em uma entrevista com meu Pres. de Estaca para um chamado na estaca ,depois de algumas perguntas,incluindo namoro , ele disse algo que eu jamais esquecerei, e gostaria de compartilhar com você...e espero que sirva para você ponderar tais palavras...
"NÃO ESCOLHA DEMAIS ...MAIS TAMBÉM NÃO SE ENGANE."
Agora leia o conselho de :
PRESIDENTE GORDON B. HINCKLEY
Obrigado por serem o tipo de pessoas que são e pelas coisas que fazem. Que as bênçãos do céu repousem sobre vocês.
Falo aqui a um grupo bem variado. Ele inclui as jovens que ainda estudam ou que trabalham. Vocês são solteiras. Têm a esperança de encontrar o homem perfeito. Ainda não vi um que fosse perfeito. Sejam exigentes, mas não tanto que não haja ninguém bom o bastante. O que realmente importa é que ele as ame, respeite, honre e seja absolutamente fiel a vocês; que ele lhes dê liberdade de expressão e deixe que alcem vôo no desenvolvimento de seus próprios talentos. Ele não será perfeito, mas se for bondoso e atencioso, se for trabalhador e puder se sustentar, se for honesto e tiver bastante fé, muito provavelmente você escolheu certo, vocês serão imensamente felizes.
Conferences
Outubro de 2003
Às Mulheres da Igreja
Três Metas para Guiá-las
Esta noite nossa alma elevou-se rumo ao céu. Fomos abençoados com lindas músicas e mensagens inspiradas. O Espírito do Senhor está aqui.
Irmãs Julie Beck, Silvia Allred e Barbara Thompson—graças aos céus por sua mãe e seu pai, por seus professores, por seus líderes de jovens e outros que reconheceram o potencial que havia em vocês.
Parafraseando um Pensamento:
Nunca se sabe o quanto vale uma menina,
É preciso esperar para ver;
Mas cada mulher com um nobre encargo,
Teve de, um dia, uma menina ser.
Nesse espírito, senti que devo dar a cada membro todo o mundo, três metas a serem cumpridas:
1. Estudem com afinco.
2. Orem com convicção.
3. Sirvam de boa vontade.
Presidente Thomas S. Monson
Irmãs Julie Beck, Silvia Allred e Barbara Thompson—graças aos céus por sua mãe e seu pai, por seus professores, por seus líderes de jovens e outros que reconheceram o potencial que havia em vocês.
Parafraseando um Pensamento:
Nunca se sabe o quanto vale uma menina,
É preciso esperar para ver;
Mas cada mulher com um nobre encargo,
Teve de, um dia, uma menina ser.
Nesse espírito, senti que devo dar a cada membro todo o mundo, três metas a serem cumpridas:
1. Estudem com afinco.
2. Orem com convicção.
3. Sirvam de boa vontade.
Presidente Thomas S. Monson
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Fita Verde No Cabelo (Nova velha história)
Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita - Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar fambroesas.
Daí, que, indo no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido, nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então ela, mesma, era quem dizia: "Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou". A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto passa por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- "Quem é?"
- "Sou eu..." - e Fita Verde descansou a voz. - "Sou sua linda netinha, com cesto e com pote, com a Fita Verde no cabelo, que a mamãe me mandou."
Vai, a avó difícil, disse: - "Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus a abençoe."
Fita Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar apagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - "Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo."
Mas agora Fita Vede se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"
- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...." - a avó murmurou.
- "Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados".
- "É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta..." - a avó suspirou.
- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
- "É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha...." - a avó ainda gemeu.
Fita Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!..."
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.
Daí, que, indo no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido, nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então ela, mesma, era quem dizia: "Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou". A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto passa por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- "Quem é?"
- "Sou eu..." - e Fita Verde descansou a voz. - "Sou sua linda netinha, com cesto e com pote, com a Fita Verde no cabelo, que a mamãe me mandou."
Vai, a avó difícil, disse: - "Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus a abençoe."
Fita Verde assim fez, e entrou e olhou.
A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar apagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - "Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo."
Mas agora Fita Vede se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
- "Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!"
- "É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta...." - a avó murmurou.
- "Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados".
- "É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta..." - a avó suspirou.
- "Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?"
- "É porque já não estou te vendo, nunca mais, minha netinha...." - a avó ainda gemeu.
Fita Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
Gritou: - "Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!..."
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.
Guimarães Rosa.
Um dia você aprende… – Willian Shakespeare
Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança ou proximidade. E começa aprender que beijos não são contratos, tampouco promessas de amor eterno. Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos radiantes, com a graça de um adulto – e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pois o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, ao passo que o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol pode queimar se ficarmos expostos a ele durante muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe: algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e, por isto, você precisa estar sempre disposto a pedoá-la.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva um certo tempo para construir confiança e apenas alguns segundos para destruí-la; e que você, em um instante, pode fazer coisas das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e que, de fato, os bons e verdadeiros amigos foram a nossa própria família que nos permitiu conhecer. Aprende que não temos que mudar de amigos: se compreendermos que os amigos mudam (assim como você), perceberá que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou até coisa alguma, tendo, assim mesmo, bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito cedo, ou muito depressa. Por isso, sempre devemos deixar as pessoas que verdadeiramente amamos com palavras brandas, amorosas, aprende pois cada instante que passa carrega a possibilidade de ser a última vez que as veremos; que as circunstâncias e os ambientes possuem influência sobre nós, mas somente nós somos responsáveis por nós mesmos; começa a compreender que não se deve comparar-se com os outros, mas com o melhor que se pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se deseja tornar, e que o tempo é curto. Aprende que não importa até o ponto onde já chegamos, mas para onde estamos, de fato, indo – mas, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar servirá.
Aprende que: ou você controla seus atos e temperamento, ou acabará escravo de si mesmo, pois eles acabarão por controlá-lo; e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa o quão delicada ou frágil seja uma situação, sempre existem dois lados a serem considerados, ou analisados.
Aprende que heróis são pessoas que foram suficientemente corajosas para fazer o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências de seus atos. Aprende que paciência requer muita persistência e prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se. (…) Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido: simplesmente o mundo não irá parar para que você possa consertá-lo. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás. Portanto, plante você mesmo seu jardim e decore sua alma – ao invés de esperar eternamente que alguém lhe traga flores. E você aprende que, realmente, tudo pode suportar; que realmente é forte e que pode ir muito mais long–e mesmo após ter pensado não ser capaz. E que realmente a vida tem seu valor, e, você, o seu próprio e inquestionável valor perante a vida.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Você é uma mãe má? eu sou...
Um dia quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva as mães e os pais, eu hei de dizer-lhes:
- Eu os amei o suficiênte para ter perguntado aonde iam, com quem iam e a que horas regressariam.
- Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
-"Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas que tiraram do supermencado ou revistas do jornaleiro e os fazer dizer ao dono: nós pegamos: nós pegamos isto ontem e queremos pagar".
-Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
-Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a resposabilidade de suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
- Mais que tudo eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em alguns momentos até odiaram).
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também! E em qualquer dia, quando meus netos forem crecidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva as mães e os pais e quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má, vocês, meus filhos, vão lhes dizer:
- "Sim, nossa mãe era má. era a mãe mais má do mundo..." As outras crianças comia doces no café da manhã e nós tinhamos que comer cereais, torradas... As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batata frita e sorvete no almoço e nós tinhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
- Ela obrigava comer à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.
- Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (ligava para o nosso celular de madrugada e "fuçava" em nossos e-mails). Era quase uma prisão.
- Mamãe tinha de saber quem era nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia em que lhe disséssemos com quem iamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
- Nós tinhamos vergonha de admitir, mas ela "violava as leis do trabalho infantil". Tinhamos que tirar a louça da mesa , arrumar a bagunça, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite pensando em coisas para nos mandar fazer.
-Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade, e quando éramols adolescentes, ela cosneguia ler nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata! Ela não deixava nossos amigos tocarem a buzina para que saissemos, eles tinham de bater à porta e subir para ela os conhecer.
-Enqunto todos podiam voltar tarde da noite, com 12 anos, tinhamos de esperar pelos 16 anos para chegar um pouco mais tarde e, aquela chata, levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossa mãe, perdemos imensas experiências na adolecência: nenhum de nós esteve envolvidos com drogas, em roubos, em atos de vandalismo, em violação de propriedade e nem fomos presos por nenhum crime.
Foi tudo por causa dela!
agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos "MÃES MÁS", como foi a nossa.
EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE:
NÃO EXISTEM SUFICIENTES "MÃES MÁS!"
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